Conjecturas
Na sangria que me turva a visão
Escarro a angústia de meu desespero,
Abrupto qual o golpe certeiro
Desferido por atroz serpente,
Neste pulso de dor latente
QUe dilacera meu coração.
Ave carniceira que bica meu peito,
Hórrida como a própria face do medo
Estampada nos olhos aquosos
Do cardíaco sob ar rarefeito:
Por que piaste à aurora, tão cedo,
À alguém de sonhos tão viçosos?
Inimiga primeira da vida:
Por que levaste minha querida
Amante em tua revoada,
Na frieza morta de teu abraço,
Sem deixar-me na garganta um laço
Para segui-la em sua jornada?!
Na escuridão pranteio sua ausência
Envolto por dores que me ferem a conciência.
Ave agourenta: Canta à minha janela.
Anuncia minha morte; leva-me para Junto Dela.
(Conjecturas - Mephisto MelanchoDemon)






